Senador pede convocação da mulher de Alexandre de Moraes e de irmãos de Toffoli à CPI do Crime Organizado

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE).Foto/Reprodução



O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou requerimentos na CPI do Crime Organizado, no Senado, para convocar a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, para prestarem depoimento ao colegiado.

No caso de Viviane Barci, o parlamentar afirma que a convocação é necessária para esclarecer a hipótese de uso de serviços jurídicos como possível mecanismo de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial de recursos supostamente ligados a organizações criminosas.

O pedido cita um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, revelado pelo jornal O Globo. Segundo o senador, o valor estaria acima dos padrões praticados no mercado para esse tipo de serviço, o que, na avaliação dele, levanta suspeitas sobre a natureza do negócio.

Vieira também menciona investigações da Operação Carbono Oculto, que apontam que o Banco Master teria sido capitalizado com recursos provenientes de fraudes e do tráfico de drogas, por meio da emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) pela gestora CBSF DTVM, antiga Reag Trust. Nesse contexto, os pagamentos ao escritório poderiam, em tese, se enquadrar no crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/1998.

O requerimento destaca ainda que uma nova banca do escritório foi aberta em Brasília em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em novembro do mesmo ano. Para o senador, a proximidade das datas reforça a necessidade de esclarecimentos sobre possíveis manobras patrimoniais. Ele também questiona o tratamento prioritário dado a esses pagamentos em relação a outros credores.

Já os pedidos de convocação dos irmãos de Dias Toffoli são baseados, segundo Vieira, em indícios que conectariam transações imobiliárias e societárias a elementos sob investigação na área de segurança pública e do sistema financeiro.

Os requerimentos foram apresentados na última segunda-feira (2), no início do ano legislativo. A próxima reunião da CPI está prevista para o dia 10 de fevereiro, quando os pedidos devem ser analisados pelos parlamentares.

Na semana passada, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) também apresentaram um requerimento pedindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Viviane Barci. O pedido abrange o período de 1º de janeiro de 2024 a 1º de janeiro de 2026 e inclui acesso a movimentações financeiras, dados fiscais, investimentos e registros em órgãos como Receita Federal, Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

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