O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano, preservando o patamar elevado que vem sendo usado para conter a inflação. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado, mas o tom do comunicado trouxe uma novidade relevante: a indicação de que os cortes podem começar na próxima reunião, caso o cenário evolua como previsto.
Na prática, o BC ainda enxerga riscos demais para antecipar o afrouxamento agora.
O ambiente externo segue carregado de incertezas, especialmente por causa da política econômica dos Estados Unidos, que mantém pressão sobre os mercados globais e dificulta a vida de países emergentes. Tensões geopolíticas e condições financeiras mais apertadas também entram nessa conta.
Dentro de casa, o diagnóstico é misto. A atividade econômica começa a perder fôlego, como o próprio Banco Central já projetava, mas o mercado de trabalho continua resistente. Esse quadro ajuda a explicar por que a inflação desacelera, mas ainda não cedeu o suficiente para voltar ao centro da meta.
As expectativas seguem acima do desejado: 4% para 2026 e 3,8% para 2027, segundo a pesquisa Focus. Para o horizonte relevante da política monetária — o terceiro trimestre de 2027 — o próprio Copom projeta 3,2%, ainda exigindo vigilância.
Equilíbrio delicado
O desafio do Banco Central agora é calibrar o momento certo de iniciar os cortes sem reacender a inflação.
De um lado, pesam riscos como expectativas desancoradas, serviços ainda pressionados e câmbio mais depreciado. De outro, há sinais que podem ajudar: crescimento mais fraco, possível desaceleração global e queda nas commodities.
Ao manter a Selic em 15%, a autoridade monetária reforça a mensagem de compromisso com a meta. Mas, ao mesmo tempo, abre a porta para a flexibilização, indicando que o ciclo de juros altos pode estar perto do fim.
Se os próximos dados confirmarem a trajetória de desaceleração dos preços, o mercado já começa a apostar que o primeiro corte pode sair no próximo encontro.
Depois de um longo período de aperto, o Banco Central começa, ainda que com cautela, a desenhar a transição para um novo ciclo.

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